News nacional - Ricardo de Moura Pereira
Nos primeiros 19 meses do segundo mandato de Donald Trump, a dívida dos Estados Unidos excedeu US$ 40 trilhões, aproximadamente R$ 206 trilhões, apesar da promessa do republicano de diminuir despesas e equilibrar as contas públicas. Além disso, o recorde retoma uma declaração proferida por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante a sabatina do Jornal Nacional: quando indagado sobre o endividamento do Brasil, o presidente mencionou especificamente a dívida dos Estados Unidos, que corresponde a 120% do PIB e a US$ 40 trilhões.
De acordo com uma reportagem da Reuters, a dívida federal dos Estados Unidos ultrapassou oficialmente a marca de US$ 40 trilhões no dia 18 de agosto. O progresso acontece enquanto o governo Trump enfrenta desafios para cumprir as promessas de redução do déficit feitas durante a campanha eleitoral. Nove dias após a marca ser atingida, Lula utilizou o caso americano para responder às perguntas sobre a evolução da dívida pública brasileira durante uma entrevista à Globo, no dia 27 de agosto.
"Observe o Japão, observe a Itália. Você tem conhecimento do valor da dívida dos Estados Unidos? "120% do PIB equivale a 40 trilhões de dólares", declarou.O valor nominal citado por Lula referia-se ao nível alcançado naquele mês. Em relação ao PIB, a dívida bruta dos Estados Unidos estava em cerca de 126%, o que faz com que os 120% mencionados pelo presidente estejam na mesma faixa.
A dívida dos Estados Unidos aumenta, mesmo com as promessas de Trump
Trump voltou à Casa Branca em janeiro de 2025, prometendo diminuir o tamanho do governo, reduzir gastos e impulsionar o crescimento econômico para controlar os déficits. Seu governo dispensou funcionários, finalizou programas federais e nomeou Elon Musk como chefe do Departamento de Eficiência Governamental, o DOGE, instituído com o compromisso de implementar uma significativa redução de despesas.
No entanto, a trajetória do endividamento continuou a crescer. Segundo a Reuters, os gastos do governo federal aumentaram durante o segundo mandato, assim como o custo de financiamento da dívida, pressionado pelas taxas de juros dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
A questão não teve início com Trump. A dívida dos Estados Unidos vem aumentando há décadas, passando por administrações republicanas e democratas, e sendo impulsionada por déficits sucessivos, conflitos, crises econômicas, pandemia, programas de previdência e saúde, além do crescimento dos gastos com juros.
No entanto, as projeções para os próximos anos também foram elevadas como resultado das decisões tomadas desde o retorno do republicano ao poder.O Congressional Budget Office (CBO), órgão técnico e imparcial do Congresso dos Estados Unidos, estima que a lei de reconciliação aprovada em 2025 elevará os déficits acumulados entre 2026 e 2035 em US$ 4,7 trilhões, levando em conta seus impactos na economia e os custos adicionais com juros.
O mesmo estudo estima que as tarifas implementadas pelo governo Trump diminuam os déficits em cerca de US$ 3 trilhões durante o período. Por outro lado, as mudanças administrativas que diminuíram a imigração devem aumentar o déficit em aproximadamente US$ 500 bilhões.No conjunto das mudanças mais significativas implementadas desde janeiro de 2025, o CBO prevê que o déficit acumulado entre 2026 e 2035 ficará aproximadamente US$ 1,4 trilhão maior do que o órgão havia estimado antes do início do segundo mandato de Trump.
Durante a sabatina do Jornal Nacional, Lula fez uma comparação internacional ao ser indagado sobre a dívida do Brasil. Antes de mencionar os Estados Unidos, ele também mencionou Japão e Itália e afirmou que o crescimento econômico tem um impacto direto na relação entre endividamento e PIB.
"À medida que você começa a impulsionar a economia, a dívida começa a diminuir em relação ao PIB", declarou. Entretanto, há limites para a comparação entre Brasil e Estados Unidos. Washington emite o dólar, que é a principal moeda de reserva internacional, e possui condições de financiamento distintas das oferecidas pelo Brasil. Além disso, o Brasil paga juros significativamente mais altos.
Além disso, existem várias maneiras de avaliar o endividamento dos Estados Unidos. Os US$ 40 trilhões representam a dívida federal bruta, que abrange tanto os títulos detidos por investidores quanto as obrigações entre as entidades governamentais. Em agosto, a parte da dívida em mãos do público era de cerca de US$ 32,3 trilhões.
Brasil prevê receita total histórica em 2026.
O debate acontece enquanto o Brasil registra progresso na outra extremidade das contas públicas. Conforme apresentado pela Fórum no último domingo, a equipe econômica estima uma receita total de R$ 3,24 trilhões para 2026, o que representa 23,7% do PIB.
Caso o resultado se confirme, será o maior índice desde o início da série histórica do Tesouro Nacional, em 1997. O recorde anterior, de 23,6% do PIB, foi alcançado em 2010, ano final do segundo mandato de Lula. A receita total não se refere apenas à coleta de impostos. O cálculo abrange ainda royalties, dividendos, concessões e outras formas de ingresso de recursos provenientes do governo federal.
Ao passo que o governo brasileiro prevê uma receita total correspondente a 23,7% do PIB em 2026, o CBO estima que a principal lei fiscal aprovada durante o segundo mandato de Trump irá aumentar os déficits americanos em US$ 4,7 trilhões até 2035. A dívida federal dos EUA, mencionada por Lula no Jornal Nacional, já excedeu US$ 40 trilhões.