News nacional - Ricardo de Moura Pereira
De acordo com o pedido de recuperação judicial apresentado à Justiça de São Paulo, o Grupo Casas Bahia dispensou aproximadamente 3 mil colaboradores e encerrou quase 300 lojas em agosto deste ano, conforme informações obtidas pelo g1.
As medidas estão incluídas na estratégia da empresa para cortar despesas e lidar com, de acordo com a própria companhia, a mais grave crise financeira de sua trajetória. A varejista declara que o objetivo do plano é reestruturar sua situação financeira.
As medidas se juntam a outras ações implementadas desde 2023, quando o chamado Plano de Transformação resultou no fechamento de 55 lojas deficitárias e na redução de cerca de 8,6 mil empregos.
Na petição, a empresa aponta que suas dificuldades são principalmente causadas pelo ambiente de altas taxas de juros, pela redução no consumo de bens duráveis, pelo crescimento da inadimplência e pelas pressões que o setor varejista tem enfrentado nos últimos anos.
A empresa também menciona os efeitos da transformação digital no comércio. De acordo com o documento, as primeiras ações de reestruturação foram implementadas em 2023, em resposta ao agravamento da situação econômica e financeira.
Além de fechar 55 lojas e reduzir postos de trabalho, a empresa também reduziu estoques, cortou investimentos e fez ajustes nos centros de distribuição. Embora essas medidas tenham gerado ganhos, a empresa afirma que o elevado custo da dívida ainda está pressionando o caixa. Por essa razão, novas medidas foram implementadas em 2026.
Conforme a petição, somente no mês de agosto deste ano, o grupo dispensou aproximadamente 3 mil empregados e encerrou quase 300 lojas. A companhia declara que as ações são parte de um esforço para cortar custos e restabelecer a estabilidade financeira.
Considerando as duas fases da reestruturação citadas no processo, o Grupo Casas Bahia eliminou cerca de 11,6 mil empregos e encerrou aproximadamente 355 lojas.
No pedido de recuperação judicial, a varejista afirma que a crise é de natureza conjuntural e sustenta a viabilidade de suas operações. A empresa ressalta que ainda conta com mais de 20 mil funcionários e uma rede de mais de 700 lojas físicas operando.
Veja abaixo os números da reestruturação:
- 2023: fechamento de 55 lojas e redução de aproximadamente 8.600 postos de trabalho.
- 2026: fechamento de quase 300 lojas e demissão de cerca de 3 mil funcionários.
- Total: aproximadamente 11,6 mil postos de trabalho eliminados e cerca de 355 lojas encerradas.
O Pedido de recuperação judicial
Na noite deste domingo (16), o Grupo Casas Bahia anunciou que solicitou recuperação judicial na Justiça de São Paulo. A medida abrange a própria empresa e mais nove companhias do grupo, visando reestruturar as finanças e renegociar aproximadamente R$ 17,3 bilhões em dívidas, além de assegurar a continuidade das operações.
De acordo com a empresa, a decisão recebeu a aprovação do Conselho de Administração e do acionista controlador. A solicitação foi registrada no Foro Central Cível de São Paulo, que é especializado em falências e recuperações judiciais.
A empresa anunciou que planeja continuar operando as lojas físicas, o comércio eletrônico e outros canais de venda. Como o pedido foi feito com urgência, ele ainda precisará ser aprovado pelos acionistas em uma Assembleia Geral Extraordinária.
A solicitação de recuperação judicial é o resultado de um processo de reestruturação que começou há aproximadamente três anos.
De acordo com a petição à qual o g1 teve acesso, a empresa apresentou um Plano de Transformação em meados de 2023 com o objetivo de diminuir despesas, melhorar a eficiência operacional e reforçar a geração de caixa.
Na etapa inicial, 55 lojas deficitárias foram fechadas até o final do ano, além da redução de cerca de 8.600 empregos.
No ano de 2024, a Casas Bahia também executou uma recuperação extrajudicial, renegociando aproximadamente R$ 4,1 bilhões em débitos com bancos.
Naquele momento, a empresa acreditava que a renegociação, aliada à expectativa de redução dos juros e recuperação do consumo, seria o bastante para equilibrar as finanças. Contudo, de acordo com a empresa, o cenário econômico permaneceu desfavorável.
Em agosto de 2026, no decorrer da segunda etapa do Plano de Transformação, a companhia realizou mais uma série de demissões, dispensando aproximadamente 3 mil colaboradores e fechando quase 300 lojas.
De acordo com a petição, o grupo atualmente emprega mais de 20 mil indivíduos. A empresa declara que a recuperação judicial é essencial para manter esses postos de trabalho e assegurar a continuidade das operações.
Fonte - O Globo