De acordo com informações divulgadas pelo Tesouro Nacional, o governo federal registrou um superávit primário de R$ 10,8 bilhões no mês de julho. O resultado indica uma significativa mudança em comparação ao mesmo mês do ano anterior, quando as contas apresentaram um déficit de R$ 59,1 bilhões.
O desempenho foi favorecido pela diminuição dos custos e pelo aumento de 7,7% das receitas líquidas.Embora o resultado de julho tenha sido positivo, o saldo acumulado ainda é negativo. Nos primeiros sete meses do ano, o governo apresenta um saldo negativo de R$ 81,3 bilhões. As cifras são divulgadas pouco antes do envio ao Congresso do projeto de lei orçamentária de 2027, que deverá incluir medidas de redução de custos que afetam setores como saúde e despesas com pessoal.
O superávit de R$ 10,8 bilhões é o melhor resultado para julho desde 2022 e representa uma mudança significativa em relação ao déficit de R$ 59,1 bilhões registrado no mesmo mês do ano anterior. O resultado primário é alcançado quando as receitas governamentais excedem as despesas, excluindo os custos com juros da dívida pública.
Uma das principais razões para a melhora foi a redução das despesas totais, que diminuíram em R$ 56,4 bilhões em relação a julho do ano anterior, totalizando R$ 215,5 bilhões.
A diminuição foi impulsionada principalmente pela redução de R$ 37,1 bilhões nos desembolsos relacionados a precatórios e sentenças judiciais. Houve também uma redução de R$ 18,1 bilhões nas despesas com benefícios previdenciários e de R$ 4,2 bilhões nos gastos com pessoal e encargos sociais.
Em contrapartida, as receitas líquidas totalizaram R$ 226,3 bilhões, representando um aumento real de 7,7% em relação ao ano anterior.
O saldo positivo de julho foi resultado da combinação entre crescimento da arrecadação e diminuição das despesas.Porém, parte da melhora está ligada a fatores que podem não se repetir nos meses seguintes, como a redução no volume de pagamentos de precatórios durante o período.
O resultado de julho não foi adequado para eliminar o déficit acumulado pelo governo. De janeiro a julho, as contas apresentaram um déficit primário de R$ 81,3 bilhões, em comparação com um saldo negativo de R$ 70,3 bilhões no mesmo período do ano anterior. No primeiro semestre, as despesas totais somaram R$ 1,5 trilhão, com um aumento real de 10,9%. É nesse contexto que o governo elabora o Orçamento de 2027 e prevê uma alteração na direção das finanças públicas.
A expectativa é atingir um superávit “real” de cerca de R$ 10 bilhões em 2027, o que representa 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB), levando em conta também os gastos que não são considerados na meta fiscal, como parte dos precatórios e algumas despesas com Defesa.
A meta fiscal oficial para 2027 é mais alta: um superávit de 0,5% do PIB, o que corresponde a cerca de R$ 73,2 bilhões. Em entrevista à GloboNews, Bruno Moretti, ministro do Planejamento, declarou que o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2027 preverá um ajuste de 0,5% do PIB no primeiro ano do novo governo.
"Mesmo considerando os chamados descontos da meta, em 2027 teremos uma arrecadação maior do que as despesas." "Teremos um resultado primário cheio superavitário no próximo ano", declarou.