News Nacional - Ricardo de Moura Pereira
Uma escavação arqueológica realizada no quintal de uma residência em Şanlıurfa, no sudeste da Turquia, descobriu uma câmara escavada diretamente na rocha. Na parede, há a imagem de um homem inclinado ao lado de duas mulheres com asas. Apesar das comparações regionais sugerirem tradições funerárias antigas, a tumba ainda não foi datada de forma conclusiva.
A descoberta foi registrada durante o Projeto de Inventário Cultural de Şanlıurfa, uma iniciativa destinada a documentar sítios da província que são conhecidos de forma incompleta. Localizada em uma área residencial, a estrutura é composta por uma única câmara funerária esculpida na rocha, oculta abaixo do nível atual do solo.
A descoberta evidencia a importância dos inventários, mesmo em áreas reconhecidas pela arqueologia. Ao invés de iniciar com uma escavação monumental, a equipe estava documentando o patrimônio espalhado por bairros e propriedades. Um local comum acabou por revelar uma estrutura funerária que mantinha uma decoração figurativa atípica.
O relevo principal retrata um homem reclinado, apoiado em um dos braços, acompanhado por duas figuras femininas aladas. A cena retratada remete ao falecido e ao contexto funerário, porém a identidade precisa das personagens ainda não foi definida. Uma interpretação viável é que as mulheres atuem como figuras de proteção.
Há também uma inscrição pintada próxima à entrada, mas parte do texto está danificada e ainda não foi decifrada. Isso impede que o conteúdo seja utilizado como um meio para determinar o proprietário, sua classe social ou a data. Cada aspecto deve ser comparado com outras tumbas antigas da área.
O título da descoberta é geralmente ligado ao período romano, uma vez que túmulos escavados na rocha são conhecidos em Şanlıurfa e regiões próximas. No entanto, a equipe encarregada comunicou que a estrutura recentemente documentada ainda não recebeu uma data. A região abriga ocupações de várias épocas, o que demanda cuidado ao se estabelecer uma cronologia.
Essa distinção entre comparação estilística e datação arqueológica é fundamental. Sem materiais relacionados, inscrição legível ou análise estratigráfica adequada, afirmar “romana” com certeza pode ser precipitado. Por ora, a idade de cerca de dois mil anos deve ser considerada uma possibilidade contextual, e não uma medição definitiva.
O projeto conta com a participação de especialistas de órgãos provinciais e pesquisadores das universidades de Batman e Harran. Uma equipe composta por arqueólogos, arquitetos e historiadores da arte, sob a coordenação da historiadora da arte Gülriz Kozbe, da Universidade de Batman, está empenhada em compilar registros padronizados de milhares de locais já registrados na província.
Após os terremotos de 2023, que evidenciaram a vulnerabilidade de patrimônios pouco documentados, o trabalho ganhou uma relevância ainda maior. Mesmo na ausência de recursos ou urgência para escavações, registrar plantas, fotografias e detalhes de estruturas antigas estabelece uma base para conservação e pesquisas futuras.
A inscrição é uma das pistas mais promissoras, porém sua interpretação exigirá conservação e métodos de registro apropriados. Além disso, é possível comparar o formato das asas, a posição do homem e a configuração da câmara com monumentos de épocas conhecidas. A cronologia poderia ser reduzida por meio de objetos encontrados em contexto seguro.