News Nacional, Ricardo de Moura Pereira
A dívida pública total dos Estados Unidos ultrapassou pela primeira vez na história a marca de US$ 40 trilhões**, conforme dados oficiais divulgados pelo Departamento do Tesouro. O valor, que atinge **US$ 40,047 trilhões, representa mais que o dobro do montante registrado quando Donald Trump assumiu a presidência pela primeira vez, em janeiro de 2017, quando a dívida era de aproximadamente US$ 19,95 trilhões.
O marco histórico
O novo recorde foi confirmado em balanço oficial do Tesouro, que detalha o valor em duas parcelas:
- US$ 32,266 trilhões em títulos detidos pelo público (investidores, fundos, governos estrangeiros e o Federal Reserve);
- US$ 7,782 trilhões em dívida intragovernamental, ou seja, obrigações entre órgãos do próprio governo, principalmente com fundos de Previdência Social.
A dívida bruta federal corresponde hoje a cerca de 124% do Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos, proporção que acende alertas entre economistas e especialistas em política fiscal.
A evolução sob os mandatos
A trajetória de crescimento mostra que, em menos de dez anos, o endividamento nacional mais que dobrou. Os números detalhados indicam:
Tabela.
| Período | Valor inicial | Valor final | Aumento |
|---|---|---|---|
| 1º mandato Trump (2017–2021) | US$ 19,95 tri | US$ 27,75 tri | + US$ 7,8 tri |
| Governo Biden (2021–2025) | US$ 27,75 tri | US$ 36,22 tri | + US$ 8,47 tri |
| 2º mandato Trump (2025–atual) | US$ 36,22 tri | US$ 40,05 tri | + US$ 3,83 tri |
| Total desde jan/2017 | US$ 19,95 tri | US$ 40,05 tri | + US$ 20,1 tri |
Fontes: Departamento do Tesouro / TIME / Agência Brasil
Somando os dois mandatos de Trump até aqui, a dívida acumulou alta superior a US$ 11,6 trilhões, o que corresponde a mais de um quarto de todo o montante atual.
O que explica o crescimento acelerado?
Vários fatores se combinam para o salto:
- Cortes de impostos: reduções implementadas desde o primeiro mandato reduziram receitas federais;
- Gastos com pandemia: cerca de um terço do aumento ocorreu em resposta à Covid-19, com endividamento massivo para financiar auxílios e medidas de socorro econômico;
- Programas sociais: envelhecimento da população eleva gastos com Previdência e Saúde (Medicare), que crescem acima da capacidade de arrecadação;
- Juros mais altos: com a dívida maior e taxas em elevação, os gastos com pagamento de juros já ultrapassaram US$ 1 trilhão por ano, consumindo fatia crescente do orçamento federal.
Reações e perspectivas
O rompimento da barreira dos US$ 40 trilhões ocorreu antes do previsto: em 2023, o Escritório de Orçamento do Congresso estimava que o marco só seria atingido por volta de 2028. A antecipação reforça advertências de organizações fiscais sobre uma "crise fiscal em formação", na qual os juros e os gastos estruturais crescem em ritmo muito superior à capacidade de arrecadação.
O presidente Trump, que em passado declarou que um patamar bem menor representaria "ponto de não retorno", viu sob seus mandatos a dívida praticamente dobrar. Até o momento, não apresentou um plano abrangente de consolidação fiscal, mantendo em vigor políticas de estímulo econômico que ampliam o déficit orçamentário. Os mercados acompanham com atenção, na medida em que os custos de financiamento sobem e a sustentabilidade da dívida americana passa a ser questionada com maior frequência dentro e fora dos Estados Unidos.