Ministro do STF e ex-ministro da Justiça aponta brechas no sistema e defende maior controle sobre investimentos e aplicações
Brasília, 12 de julho de 2026 – O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino fez um alerta público nesta semana sobre o uso crescente de fundos de investimento e outras estruturas financeiras por facções criminosas no Brasil. Segundo ele, esses mecanismos vêm sendo utilizados como caminho estratégico para esconder, movimentar e legalizar recursos obtidos com atividades ilícitas, como tráfico de drogas, armas e extorsão.
O que foi dito pelo ministro
Durante palestra no Fórum Nacional de Combate à Lavagem de Dinheiro, em Brasília, Dino destacou que, apesar das regras já existentes, ainda há brechas que permitem que organizações criminosas insiram valores no sistema financeiro formal sem levantar suspeitas imediatas.
“Não é mais apenas contas bancárias ou transações avulsas. Hoje, vemos cada vez mais a aplicação de recursos em fundos, cotas de investimento e estruturas societárias complexas. Esses instrumentos, que servem para a economia legítima, também estão sendo explorados para dar aparência legal a dinheiro sujo”, alertou o magistrado.
Ele explicou que a vantagem encontrada pelas facções está na possibilidade de transferir a titularidade dos valores, diversificar aplicações e dificultar o rastreamento da origem do dinheiro, especialmente quando há uso de “laranjas” ou empresas de fachada.
Dados que reforçam a preocupação
Relatório recente do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) corrobora a observação. Em 2025, foram registradas mais de 12 mil comunicações de operações suspeitas envolvendo fundos de investimento, um aumento de 38% em comparação com o ano anterior. Desse total, cerca de 27% apresentam vínculos diretos ou indiretos com organizações criminosas mapeadas pela Polícia Federal.
Segundo o Coaf, os valores movimentados nessas operações ultrapassaram R$ 4,2 bilhões no período, o que mostra a dimensão do problema e a necessidade de respostas mais ágeis.
Medidas em estudo
Para fechar essas brechas, Flávio Dino defendeu a adoção de regras mais rigorosas, entre elas:
✅ Maior transparência sobre a identificação dos beneficiários finais dos fundos;
✅ Obrigação de verificar a origem dos valores aplicados em cotas de investimento;
✅ Compartilhamento de dados em tempo real entre instituições financeiras, Coaf, Receita Federal e órgãos de segurança;
✅ Aumento das penalidades para empresas que não cumprirem as regras de fiscalização.
Ele também destacou que o STF tem atuado para dar celeridade aos processos que envolvem lavagem de dinheiro, garantindo que bens e recursos sejam bloqueados o quanto antes, evitando que desapareçam do alcance da Justiça.
Reações e análises
- Especialistas em direito financeiro: Afirmam que o alerta é oportuno, mas lembram que é preciso equilíbrio para não dificultar o funcionamento de investimentos legais e prejudicar a economia.
- Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima): Informou que já trabalha com normas rigorosas de prevenção e se disse aberta a discutir ajustes que aumentem a segurança do sistema.
- Polícia Federal: Reforçou que tem investigado casos específicos e que a articulação entre os órgãos é fundamental para combater esse tipo de esquema. Por que o tema é importante. O combate à lavagem de dinheiro é considerado uma das principais formas de enfraquecer facções criminosas. Sem a possibilidade de transformar lucros ilícitos em patrimônio e investimentos legais, a capacidade de atuação dessas organizações cai consideravelmente.
Para Flávio Dino, o trabalho é contínuo: “Não basta punir quem comete o crime; é preciso impedir que o dinheiro do crime circule e cresça dentro do nosso sistema econômico”.
Acompanhe: vamos atualizar com as medidas que forem definidas pelo governo e pelo Congresso para aperfeiçoar o controle do setor financeiro.