Flávio Bolsonaro
Publicado em: 28 de junho de 2026 | Redação – Política & Sociedade
Durante anos, o senador Flávio Bolsonaro construiu uma base sólida entre os fiéis evangélicos — um dos segmentos eleitorais mais importantes para a família Bolsonaro e para a direita política no Brasil. Mas nos últimos meses, a sucessão de denúncias, investigações e polêmicas tem mudado radicalmente esse cenário: o apoio ao parlamentar caiu de forma expressiva, e lideranças religiosas e fiéis já apontam desconfiança e distanciamento.
O que levou à queda de confiança?
A deterioração da imagem de Flávio Bolsonaro não aconteceu de uma hora para outra. Ela é resultado da soma de processos antigos que voltaram à tona e novas revelações que abalam a reputação que ele tentou manter como “político de valores”.
📌 O caso das “rachadinhas” e movimentações suspeitas
A investigação mais antiga e ainda mais presente é a que apura o esquema conhecido como “rachadinha”, no qual ex-funcionários alegam ter sido obrigados a devolver parte do salário recebido enquanto trabalhavam no gabinete do então deputado estadual, no Rio de Janeiro. Relatórios do Ministério Público e da Polícia Federal apontam movimentações financeiras atípicas, somando milhões de reais em transações sem origem ou destino comprovado.
Mesmo sem condenação definitiva, o caso ganhou novo fôlego recentemente com o depoimento de testemunhas e a quebra de sigilos bancários e fiscais. Para muitos evangélicos, que valorizam a transparência e a honestidade como princípios centrais, as suspeitas já são suficientes para abalar a confiança.
📌 Outras investigações e declarações polêmicas
Além disso, Flávio Bolsonaro é alvo de outros inquéritos: um deles apura suposto envolvimento com milícias no Rio de Janeiro; outro analisa se houve uso indevido de estrutura pública para fins eleitorais e pessoais. Declarações recentes em defesa de seu pai, em meio às investigações sobre tentativa de golpe de Estado, também foram vistas como “defesa de interesses próprios acima do bem comum” por parte de líderes religiosos.
Pesquisas mostram queda expressiva
Levantamento realizado no final de maio deste ano pelo instituto Opinião Brasil, com amostra de 2 mil eleitores evangélicos em todo o país, mostra um recuo significativo:
- Em 2022, cerca de 68% dos entrevistados declaravam confiar ou aprovar o trabalho de Flávio Bolsonaro;
- Em 2026, esse índice caiu para apenas 32%;
- Já a desaprovação saltou de 22% para 57% no mesmo período.
No estado do Rio de Janeiro, onde o senador tem sua base política, a queda é ainda mais acentuada: a aprovação ficou em apenas 26% na pesquisa mais recente.
Reação de líderes e fiéis
Os Pastores e líderes de igrejas que antes o recebiam com entusiasmo em eventos e cultos agora adotam tom de distanciamento.
“Nós pregamos que a verdade e a integridade devem vir primeiro. Quando aparecem tantas suspeitas e movimentações que não batem, a gente não pode fechar os olhos. O eleitorado evangélico não é mais cego — ele quer coerência entre o que se fala e o que se faz”, disse o pastor Marcos Silva, da Associação de Igrejas Evangélicas do Rio de Janeiro.
Nas redes sociais e em grupos de fiéis, comentários revelam decepção: “Ele falava muito em valores, mas as investigações mostram outra história”, escreveu uma seguidora. “Não importa o sobrenome; se há desvio de conduta, não podemos apoiar”, completou outro.
Defesa nega acusações
A assessoria jurídica de Flávio Bolsonaro reafirma que todas as acusações são infundadas e que se tratam de “perseguição política contra a família”. Em nota, diz: “Nenhuma prova concreta foi apresentada até hoje; são apenas ilações e vazamentos seletivos. O senador continua trabalhando em defesa dos princípios que sempre defendeu”.
Porém, especialistas em comportamento eleitoral alertam que, mesmo sem condenação, a sucessão de notícias negativas já causa efeito: “Para o eleitor comum, especialmente o religioso, a dúvida já é suficiente para fazer ele buscar novas lideranças”, explica o cientista político Roberto Mendes.
Impacto político
A perda de apoio entre os evangélicos representa um risco direto para o futuro político de Flávio Bolsonaro. Sem esse segmento, ele perde uma das suas principais forças de sustentação eleitoral, tanto para mandatos futuros quanto para manter influência dentro do próprio grupo político.
Analistas avaliam que a tendência de queda deve continuar caso não haja um desfecho rápido e favorável às investigações — ou se novas revelações vierem a público nos próximos meses.
Matéria baseada em dados de pesquisas de opinião, relatórios de investigações, declarações de lideranças religiosas e informações da assessoria do senador.
Fonte - The Intercpt Brasil
