Publicado em: 28 de junho de 2026 | Redação – Análise Internacional
Com a aproximação da abertura da Copa do Mundo de Futebol de 2026, que será realizada conjuntamente por Estados Unidos, México e Canadá, discussões sobre o uso político do evento ganharam força. Em artigos e declarações de analistas, historiadores e opositores, surgiu uma comparação polêmica: as estratégias de comunicação e promoção do torneio por parte da gestão de Donald Trump lembram, em vários pontos, a Copa do Mundo de 1934, organizada na Itália sob o regime do ditador Benito Mussolini.
A semelhança apontada não está na estrutura esportiva ou na organização técnica, mas sim na forma como o evento é usado como ferramenta de projeção de imagem, fortalecimento de poder e exaltação de um discurso nacionalista.
O que foi a Copa de 1934: esporte como propaganda de regime
Para entender a comparação, é preciso lembrar o contexto histórico: em 1934, a Itália, governada por Mussolini e seu partido fascista, recebeu o Mundial. O torneio foi transformado em um grande palco de propaganda política:
- Bandeiras, símbolos e frases do regime eram exibidos em todos os estádios e espaços públicos;
- O governo usou a competição para mostrar ao mundo uma imagem de “nação forte, unida e organizada”, ocultando problemas sociais, repressão política e restrições às liberdades individuais;
- A vitória da seleção italiana foi explorada ao máximo como “prova da superioridade do modelo de governo adotado”.
Historiadores definem essa edição como um exemplo clássico de esporte instrumentalizado para servir a interesses políticos e ideológicos.
Pontos de semelhança apontados por críticos
Segundo especialistas que analisam a organização da Copa de 2026, há traços que remetem a essa mesma lógica:
✅ Exaltação nacionalista como fio condutorEm discursos e campanhas oficiais, Trump tem destacado o Mundial como “a maior demonstração da grandeza americana”, usando frases e símbolos que associam diretamente o sucesso do evento à sua própria gestão. Para os críticos, a abordagem transforma uma competição internacional em uma plataforma de autopromoção, ao invés de priorizar a união entre países.
✅ Controle da narrativa e visibilidadeAnalistas apontam que houve tentativas de centralizar a comunicação do torneio, direcionar a cobertura midiática e associar a imagem do evento a bandeiras políticas específicas, em vez de manter o foco na diversidade e na integração características do futebol.
✅ Uso do esporte para desviar atençãoNo momento em que a organização da Copa ganha destaque, o governo enfrenta uma série de investigações, tensões internas e críticas por medidas econômicas e sociais. Para opositores, dar ênfase excessiva ao torneio serve como estratégia para desviar o foco da opinião pública de questões polêmicas, assim como fez Mussolini ao usar o esporte para projetar uma imagem de estabilidade.
O que dizem especialistas
“A comparação não quer dizer que temos um regime igual ao de 1930, mas chama a atenção para um risco antigo: quando o esporte deixa de ser apenas esporte e passa a ser usado como ferramenta de poder”, explica o historiador Carlos Eduardo Pereira, especialista em história do esporte e política. “Mussolini usou a Copa para legitimar seu governo.
Hoje, vemos o mesmo mecanismo: transformar o sucesso de um evento coletivo em vitória pessoal e política.”
Já cientistas políticos alertam que o perigo está na distorção do sentido do Mundial: “A Copa existe para aproximar povos, não para servir a discursos de exclusão ou de exaltação de uma única visão de país”, observa a pesquisadora Mariana Costa.
Reação da organização e do governo
A comissão organizadora da Copa de 2026 e a equipe de Trump rejeitam categoricamente as comparações. Em nota oficial, afirmam:
“A Copa do Mundo de 2026 é um evento democrático, aberto ao mundo e pautado na diversidade. Qualquer comparação com regimes autoritários é infundada e tem como único objetivo gerar polêmica política. O torneio pertence aos atletas e aos torcedores, não a nenhuma ideologia.”
Representantes da FIFA também se manifestaram, garantindo que manterão sua autonomia e farão valer os princípios de neutralidade e integração que regem as competições da entidade.
Um alerta histórico
Para quem acompanha a organização do evento, a comparação serve mais como um alerta do que como uma afirmação definitiva. Ela relembra uma lição da história: o esporte tem um poder enorme de aproximar pessoas — mas também pode ser apropriado para servir a interesses que nada têm a ver com a prática esportiva.
A forma como a Copa de 2026 será conduzida, especialmente nas semanas que antecedem a abertura e durante sua realização, deverá mostrar se o foco permanecerá no futebol ou se o evento será cada vez mais usado como palco de disputas políticas.
Matéria baseada em análises históricas, declarações de especialistas, reportagens da imprensa internacional e documentos sobre a organização da Copa do Mundo de 1934 e de 2026.
Fonte - The Intecept Brasil