Brasília em chamas: relatório sobre Moraes em março e relataram pressões a Mendonça

 


News Nacional  Por Ricardo de Moura Pereira 

BRASÍLIA - Os delegados da Polícia Federal que atuam nas investigações do Banco Master discutiram internamente, em março deste ano, a possibilidade de produzir um relatório sobre os diálogos do banqueiro Daniel Vorcaro com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, mas foram demovidos da ideia por seus superiores hierárquicos na PF.

Na época, eles relataram ao novo relator do caso, o ministro André Mendonça, o recebimento de pressões por causa do vazamento de informações sobre as conversas de Vorcaro com Moraes e decidiram mandar uma cópia da extração de dados do celular do banqueiro ao gabinete do ministro para se resguardarem. O episódio foi divulgado pelo portal UOL e confirmado pelo Estadão com pessoas que acompanharam o caso.

Após a PF ter enviado ao Supremo um relatório sobre as menções ao ministro Dias Toffoli, que acabou sendo arquivado pelo colegiado, os delegados também analisaram se havia indícios suficientes para produzir um documento semelhante sobre Moraes.

Na época, porém, os investigadores ainda não haviam feito um cruzamento de metadados e horários das anotações encontradas no celular do banqueiro com o envio de mensagens por WhatsApp, por isso não havia a segurança de que os diálogos sobre um plano de fuga do Brasil haviam sido mantidos com o ministro do STF.

O assunto não foi adiante, mas os investigadores começaram a sofrer pressões depois que o jornal O Globo publicou reportagem no dia 6 de março divulgando indícios, com base no celular do banqueiro, de que Vorcaro enviou mensagens de visualização única para Moraes pedindo ajuda dele para salvar o Banco Master no dia em que seria preso. Após o vazamento, a Diretoria de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção convocou os investigadores para uma reunião no dia seguinte.

Na ocasião, a chefia disse à equipe de investigadores que havia uma pressão externa muito forte após aquele vazamento, sem dar detalhes. Um dos receios dos delegados e agentes na ocasião era se tornarem alvo do inquérito das Fake News, relatado por Alexandre de Moraes.

Nessa reunião, a direção da PF citou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) havia arquivado um pedido de investigação sobre o contrato de R$ 131 milhões do Banco Master com o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e que por isso não haveria justificativa para ser apresentado um relatório sobre as conversas.

Os investigadores, então, resolveram se resguardar de possíveis ataques à investigação e, por isso, relataram logo em seguida o episódio ao ministro André Mendonça. Após ouvir os relatos, o ministro afirmou aos delegados que não permitiria pressões sobre o trabalho da investigação e tentou tranquilizá-los para levar adiante os inquéritos do caso.

De acordo com os relatos colhidos pelo Estadão, os próprios investigadores então decidiram enviar uma cópia de segurança da extração de dados do celular de Vorcaro ao gabinete de André Mendonça.

O relatório sobre Moraes, porém, acabou sendo produzido apenas no final de agosto, após uma ordem do ministro André Mendonça para que a PF identificasse os interlocutores com os quais Vorcaro conversou sobre o plano de fuga do Brasil e uma tentativa de barrar as investigações. O Estadão revelou os detalhes destas mensagens no dia 1º de setembro.

A custódia dos dados do celular no gabinete de Mendonça acabou vindo à tona após a guerra instalada no STF por causa desse relatório sobre Moraes. Os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin e Gilmar Mendes pediram para obter cópia da extração de dados da PF, sob o argumento de que o próprio Mendonça também tinha o material.

O ministro, porém, havia afirmado em despacho que nunca abriu o material, que chegou lacrado ao seu gabinete, e solicitou aos investigadores que esclarecessem as circunstâncias nas quais enviaram o material ao STF e se houve pressões sobre eles a respeito do assunto. O despacho de Mendonça foi visto nos bastidores da PF como uma sinalização de que o ministro poderia revelar detalhes do episódio que vivenciou com os investigadores.

Fonte - Estadão e MSN 

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