Episódio com Vorcaro se aprofunda e traz novas dúvidas sobre Flávio Bolsonaro

 Documentos de R$ 1,5 milhão, ligação com contador citado na PF, pedido de apuração e soma a flagra com “Sicário” transformam explicação inicial em teia de dúvidas em plena semana de convenção

O caso das notas fiscais emitidas pelo escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro para empresas ligadas ao grupo do banqueiro Daniel Vorcaro deixou de ser uma simples polêmica e se transformou em um cenário de crescente complexidade jurídica e política — justamente na semana em que o PL oficializa sua candidatura à Presidência.

O que está confirmado até aqui

Dados da Receita Federal mostram que, em abril de 2025, foram emitidas três notas fiscais de R\(500 mil cada, totalizando R\) 1,5 milhão:
  • Duas para a Copenhagen Consultoria e Assessoria, emitidas e canceladas no mesmo dia;
  • Uma terceira para a Contábil Correa, que permaneceu ativa e teve o pagamento efetuado.
Ambas as empresas têm como elo comum o contador Rogério Lourenço Novo, apontado pela Polícia Federal como operador central da estrutura financeira de Vorcaro, responsável por movimentar recursos investigados no caso Banco Master. A Copenhagen, inclusive, é citada em relatórios como uma das entidades usadas para remessas de valores milionários do grupo.

As explicações e as dúvidas que permanecem

Em vídeo e transmissões ao vivo, Flávio Bolsonaro afirmou que: As duas notas canceladas referiam‑se a serviços não concluídos, sem recebimento de valores; A terceira correspondia a trabalho advocatício regular e pago legalmente; O vazamento dos documentos configura “quebra de sigilo ilegal” e perseguição política.

Mas a versão não dissipou questionamentos: Por que emitir e cancelar duas notas de meio milhão de reais no mesmo dia? Qual foi o teor exato do serviço prestado à Contábil Correa, empresa diretamente vinculada ao núcleo investigado? Por que negociar com pessoas e entidades que já estavam sob investigação na época?

O caso chega à Polícia Federal

O deputado Lindbergh Farias (PT‑RJ) formalizou pedido de investigação à PF, pedindo que se apure a natureza dos contratos, a origem dos recursos e eventual ligação com as fraudes do Banco Master. O requerimento também solicita verificação sobre práticas que possam caracterizar simulação ou uso de notas fiscais como instrumento de movimentação financeira irregular.

Contexto que agrava a situação

O episódio não é isolado: Dias antes, foi confirmada a autenticidade de foto com o “Sicário” — operador apontado pela PF como chefe de núcleo de intimidação de Vorcaro;  A revelação soma‑se a outras investigações antigas, como o caso das “rachadinhas”; Coincide com a tensão externa: a defesa de adiar resposta às tarifas de Trump rendeu críticas de “vassalagem” e desgaste com setores produtivos.
Para analistas, o que inicialmente parecia um mal‑entendido isolado ganha contornos de rede de relacionamentos que a campanha não esperava enfrentar justamente na reta final de montagem da chapa e das alianças. Enquanto a PF analisa o pedido de abertura de inquérito, a equipe de Flávio Bolsonaro passa a dedicar quase toda a sua energia a responder questionamentos — em vez de apresentar propostas de governo.

O que vem pela frente

A expectativa é que a Polícia Federal e o Ministério Público Eleitoral definam nos próximos dias se abrem investigação formal. Paralelamente, a convenção do PL deve oficializar a candidatura, mas com o peso de uma crise que, ao contrário do esperado, só tende a se aprofundar a cada nova informação revelada.

Fonte - MSN 

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