Mendonça afastou chefe da PF três dias após Dino autorizar operação

 


   News Nacional - Ricardo de Moura Pereira  - Fonte  MSN 

A Polícia Federal (PF) realizou nesta segunda-feira (14) uma operação contra o deputado federal Antônio Cezar Correia Freire, o Cezinha de Madureira, aliado do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça. A ação havia sido autorizada pelo ministro Flávio Dino em decisão assinada três dias antes de Mendonça determinar o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.

A decisão de Dino, assinada em 5 de setembro, autorizou medidas de busca e apreensão contra Cezinha e outros investigados no âmbito de uma apuração sobre suposta prática dos crimes de exploração de prestígio, tráfico de influência, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Três dias depois da autorização da operação, em 8 de setembro, André Mendonça determinou o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência da corporação.

A decisão abriu uma disputa dentro do Supremo sobre o comando da Polícia Federal. No dia seguinte, Flávio Dino determinou a manutenção de Andrei Rodrigues no cargo, medida posteriormente confirmada pelo presidente do STF, Edson Fachin.

Com o comando da PF preservado, a operação autorizada por Dino foi realizada nesta segunda-feira contra Cezinha de Madureira.

Deputado articulou encontro entre Mendonça e Vorcaro

A operação ocorre em meio às revelações envolvendo a relação entre Cezinha e André Mendonça no caso do Banco Master. Conforme revelou o jornalista Paulo Motoryn, da newsletter Noites Húngaras, o deputado foi responsável por articular um encontro entre o ministro do STF e o banqueiro Daniel Vorcaro.

A aproximação entre Cezinha e Mendonça passou a ser analisada no contexto das investigações sobre possíveis articulações envolvendo o banqueiro e diferentes personagens políticos e institucionais.

A decisão de Dino cita elementos que apontariam para uma investigação sobre uma possível estrutura de intermediação de influência junto a integrantes de tribunais superiores. Segundo o ministro, a apuração busca esclarecer a existência de uma “estrutura destinada à comercialização de influência junto a Ministros do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça e do Tribunal Superior Eleitoral”.

Dino ressaltou, porém, que os ministros citados nos autos não são investigados. Segundo a decisão, magistrados aparecem “exclusivamente como destinatários cogitados da influência anunciada pelos investigados” e “jamais como suspeitos”.

R$ 510 mil em espécie e mensagens apreendidas

Entre os elementos considerados na investigação está a apreensão de R$ 510 mil em espécie, ocorrida em 25 de agosto de 2026, no Aeroporto de Congonhas, envolvendo Valéria Rodrigues Linhares, suposta companheira de Cezinha. O episódio foi incorporado aos autos pela possível conexão com os demais fatos investigados.

A decisão também cita informações obtidas a partir da análise pericial de um celular apreendido na Operação Transparência. Segundo Dino, os diálogos indicariam uma atuação articulada envolvendo Cezinha, sua esposa e uma advogada para suposta obtenção de decisões favoráveis em processos no STF.

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