Levitsky aponta risco de Donald Trump não aceitar possível vitória de Lula


O cientista político Steve Levitsky, docente da Universidade Harvard e coautor da obra “Como morrem as democracias”, avalia como bastante provável que Donald Trump recuse o reconhecimento de uma vitória de Luiz Inácio Lula da Silva no pleito presidencial brasileiro de 2026.

Essa perspectiva foi apresentada durante entrevista exclusiva concedida ao jornalista Jamil Chade, veiculada pelo ICL Notícias. Na ocasião, o pesquisador assinalou ainda que o retorno do bolsonarismo à chefia do Executivo representaria um perigo acentuado para as instituições democráticas do país.

Conforme o especialista, a administração norte-americana tende a intensificar manobras para interferir nos rumos políticos nacionais no horizonte próximo. Adicionalmente, ele sustentou que figuras de proa e governantes brasileiros devem validar com celeridade o veredito das urnas, mitigando assim a probabilidade de instabilidade institucional.

Levitsky aponta risco de interferência dos EUA

Na perspectiva de Levitsky, embora o governo estadunidense já tenha buscado interferir em pleitos de outras nações, tais investidas frequentemente divergem dos propósitos originais de Washington.

Desse modo, o acadêmico ponderou ser complexo mensurar o peso de uma possível ingerência norte-americana sobre o eleitorado do Brasil. A fim de ilustrar sua tese, mencionou casos ocorridos na Bolívia, na Hungria e no Canadá, argumentando que pressões estrangeiras podem gerar reações inversas às pretendidas.

Apesar disso, o cientista político mantém a convicção de que os Estados Unidos procurarão exercer influência no processo eleitoral brasileiro. Durante a entrevista ao ICL Notícias, ressaltou que, em última análise, a decisão caberá exclusivamente aos cidadãos do país.

Diante do questionamento formulado por Jamil Chade acerca da eventualidade de Trump rejeitar um triunfo de Lula, Levitsky confirmou reputar esse desfecho como viável.

O docente justificou sua análise lembrando que o líder americano ostenta um histórico de contestação de pleitos, além de habitualmente questionar reveses sofridos por aliados políticos. Por essa razão, vislumbra substancial probabilidade de que a Casa Blanca desautorize uma eventual vitória de Lula.

Contudo, o pesquisador pontuou ser inviável prever quais desdobramentos decorreriam de uma eventual impugnação dessa natureza. Por fim, Levitsky destacou dois elementos que, em sua leitura, atenuariam a plausibilidade de acusações de fraude no território brasileiro: a sólida tradição eleitoral nacional e a agilidade na apuração e publicação dos resultados.

Fonte MSN

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