Alckmin comenta sobre a controvérsia relacionada a Nossa Senhora: "Informações preocupantes"

 

O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou nesta sexta-feira (25) que a administração de Lula visa manter as tradições religiosas e o respeito às diversas crenças no Brasil. Este pronunciamento ocorre em meio à repercussão de uma controvérsia envolvendo Nossa Senhora Aparecida e a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à presidência do país.

Em uma postagem no Instagram, Alckmin mencionou que recebeu mensagens de católicos inquietos com as informações que estão sendo divulgadas desde quinta-feira (24). “Recebi mensagens de católicos preocupados com a direção do país e com as informações lamentáveis que estão circulando desde o dia de ontem”, afirmou o vice-presidente.

“Quero deixar claro que enquanto o presidente Lula e eu estivermos à frente do governo, as tradições religiosas, que são tão sagradas para as famílias brasileiras, serão resguardadas e mantidas”, acrescentou. Alckmin também ressaltou que o Brasil deve honrar o respeito às diversas religiões e conservar as tradições católicas.

“Defendemos que o Brasil é uma nação que respeita todas as religiões e é capaz de preservar pacificamente as tradições católicas”, disse.

Esse pronunciamento ocorre após a divulgação de informações que ligam a candidatura de Flávio Bolsonaro a uma antiga proposta para modificar o reconhecimento legal de Nossa Senhora Aparecida como a Padroeira do Brasil.

No entanto, o projeto não foi proposto por Flávio Bolsonaro. Originalmente, trata-se do PL 2.623/2007, que foi apresentado pelo ex-deputado federal Victório Galli. A proposta visava substituir, na legislação referente ao feriado de 12 de outubro, a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos”. Esse texto foi arquivado pela Câmara em 2008.

Galli, que é pastor evangélico e fez parte da bancada evangélica durante seu tempo na Câmara, assumiu posteriormente o papel de assessor especial da Presidência sob o governo de Jair Bolsonaro, entre fevereiro e junho de 2019. A conexão política entre Galli e o ex-presidente voltou a ser mencionada no contexto da polêmica atual.

Na quinta-feira (24), Flávio Bolsonaro negou que tenha intenção de mudar a condição de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil. A informação que circulava nas redes sociais foi retificada pela GloboNews, que tinha relacionado a questão à atual eleição. A própria Revista Fórum destacou que a proposta original pertence a Galli e não a Flávio Bolsonaro. Portanto, o episódio envolve uma proposta antiga que já foi arquivada, mas que ressurgiu no debate devido à atual campanha presidencial.

Bispos defendem a autonomia e a democracia  

A declaração de Alckmin ocorre poucos dias após protestos de representantes da Igreja Católica em apoio à autonomia nacional e à democracia.

Em um vídeo compartilhado pelo Regional Norte 1 da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus, comentou que o voto representa uma proteção da democracia. O bispo auxiliar Samuel Ferreira, por sua vez, ressaltou a importância de salvaguardar a “autonomia do Brasil, de nossa Amazônia e de nossas riquezas e bens”.

O tema da autonomia também foi abordado em uma homilia de Dom Orlando Brandes, arcebispo emérito de Aparecida. Durante uma celebração no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, o clérigo expressou que os brasileiros devem escolher seus representantes com base na própria consciência e buscando o bem coletivo.

“Devemos proteger a nossa autonomia. Nenhuma influência externa, independentemente de quem seja, pode nos comandar. Aqui é a nossa autonomia, aqui é a nossa casa, aqui é a nossa nação”, afirmou Brandes.

A defesa da autonomia vai além das manifestações individuais de bispos. A Comissão Episcopal para a Ação Sociotransformadora da CNBB tem promovido, desde o início de setembro, a série “Eleições 2026: Ação Sociotransformadora por Autonomia”, apresentada como uma iniciativa não partidária orientada para a participação democrática e para uma reflexão sobre as influências externas na política do Brasil.

Na sua declaração desta sexta-feira, Alckmin não fez menção direta a Flávio Bolsonaro, Victório Galli ou à proposta de 2007. A mensagem focou em assegurar que, durante seu governo e o de Lula, as tradições religiosas seriam mantidas, ao mesmo tempo que reiterou o respeito às diversas religiões existentes no país.

Fonte- Revista Forum 

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