EUA mantêm café e carne fora do tarifaço contra o Brasil; crise no setor e inflação interna explicam exceção
Mesmo com novas sobretaxas anunciadas pelo governo Trump, produtos do agronegócio brasileiro que são essenciais ao mercado americano ficaram de fora das medidas — decisão reflete pressão de produtores locais e receio com o aumento de preços ao consumidor.
Em meio à escalada de tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, o governo norte‑americano decidiu não aplicar as novas tarifas ao café e à carne bovina e de frango vindos do Brasil. A medida, anunciada na semana passada, havia sido ampliada para diversos produtos, mas esses itens fundamentais foram poupados — e a razão está dentro dos próprios Estados Unidos: problemas na produção interna e a pressão da inflação que já pesa no bolso do consumidor. Por que esses produtos foram excepcionados?
A decisão não foi por generosidade: Crise no agro americano: A produção de café enfrenta quebras consecutivas nas regiões produtoras, e a criação de gado e aves passa por dificuldades com custos de alimentação e clima instável. O Brasil é o principal fornecedor externo desses itens para o mercado americano — cortar essa entrada significaria falta de produto nas prateleiras.
- Controle da inflação: Café e carne estão entre os alimentos mais consumidos e que mais pesam no cálculo da inflação nos EUA. Taxar esses produtos faria os preços dispararem ainda mais, justamente em ano sensível para a economia e para a avaliação do governo. Pressão do setor: Associações de supermercados, distribuidores e até produtores americanos que dependem da cadeia importada fizeram forte lobby contra a inclusão desses itens na lista de tarifas.
O que foi taxado e o que ficou de fora
Além de café e carne, outros produtos como suco de laranja e algumas matérias‑primas agrícolas também receberam tratamento diferenciado ou foram totalmente excluídos. Já sobretaxas devem incidir sobre uma gama maior de manufaturados, calçados, alguns tipos de açúcar e produtos siderúrgicos — setores onde os Estados Unidos têm produção interna ou fontes alternativas de suprimento.
Reação do Brasil e dos produtores
A exceção foi recebida com alívio por exportadores brasileiros, mas não apaga o impacto das medidas restantes. O Ministério da Agricultura avalia que, apesar de preservar mercados importantes, a incerteza geral prejudica todo o setor produtivo nacional. “Mostra que o Brasil é indispensável em pontos estratégicos, mas também que a decisão americana responde muito mais aos seus problemas internos do que a qualquer questão externa”, avaliou uma fonte do governo.
O que isso significa para a disputa
A medida confirma que a guerra de tarifas não segue apenas uma lógica política: ela é moldada pela realidade econômica de cada lado. Os Estados Unidos sabem que não podem prescindir de produtos brasileiros fundamentais sem causar danos maiores à sua própria economia — e o Brasil segue usando esse argumento em defesa de uma negociação que preserve o comércio justo e a soberania de ambos os lados.
Fonte - Globo