Oficiais dos Estados Unidos e de outros países ocidentais consideram que o presidente russo Vladimir Putin poderá oficialmente decretar guerra à Ucrânia em 9 de maio. Esta data tem um enorme simbolismo para o país: é o Dia da Vitória na Rússia, que comemora a derrota dos nazistas na Segunda Guerra Mundial em 1945.
A Rússia comemora anualmente a data com grandes cortejos militares nas grandes cidades, em um movimento patriótico que dedicou aos quase 20 milhões de soviéticos que faleceram durante o combate. Neste ano, a comemoração ganha um certo simbolismo e menos tanques e aparelhos militares participarão do evento.
Putin havia prometido mais de 10.000 soldados, 62 aviões de guerra e 15 helicópteros de guerra. Na cerimônia, oito aviões de caça Mig-29 devem escrever a letra Z no céu, um símbolo adoptado pelos apoiadores da invasão russa da Ucrânia. Diversos analistas alegam que o presidente deveria também usar a oportunidade para fortalecer sua história como um líder que foi obrigado a se empenhar em uma guerra para defender os interesses da população de língua russa.
Utilizar esta data para difundir uma vitória militar na Ucrânia certamente não seria um gesto inesperado do governo Putin, apesar do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, recusar na quarta-feira (4) a declaração de guerra da Rússia no dia 9. Até o momento, Putin tem classificado a invasão da Ucrânia como uma " missão militar especial", uma alegação de "desnazificação" na Ucrânia, não uma guerra.
O discurso se baseia justamente em sua política de exaltar o passado soviético e de promover a imagem mítica de uma potência russa que prosseguiria em sua luta fatal contra o nazismo. Para os oficiais ocidentais, a Rússia, com sua estratégia de decretar guerra no dia 9, possibilitaria a plena mobilização das forças de reserva em um tempo em que os seus esforços para dominar as regiões ucranianas continuavam a falhar.
" Penso que ele vai procurar sair de sua atividade 'especial'. Ele está fazendo rolar o campo, se preparando para poder dizer 'olha, é uma guerra contra os nazistas agora, e o que eu necessito é de mais gente'", disse o Secretário de Defesa britânico Ben Wallace à rádio LBC na semana passada.
Na palestra de 2014, ele disse: "A determinação de ferro do povo soviético, sua valentia e estoicismo salvaram a Europa da escravidão". " Sabemos e temos a firme confiança de que somos invencíveis quando estamos unidos", ele reafirmou em 2020. (Com agências internacionais).
Ricardo de Moura Pereira
Fonte UOL