Extrema direita conquista maioria no Senado e poder para abrir processo de impeachments de ministros do STF

 


A extrema direita avançou no plano para dominar o Senado. Não foi com força suficiente para garantir votos para o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal, o STF, sem apoio do Centrão, mas o grupo liderado por PL, PP, Republicanos e Novo conquistou a maioria da Casa, que garante poder para tomar a presidência do Senado em 2027 e dar a largada no movimento para destruir o STF.

A onda de extrema direita no Senado foi avassaladora: 27 senadores do grupo foram eleitos neste domingo, 4 de outubro, e se somam aos 16 que já têm mandato até 2030. No total, serão 43, ou seja, 14 a mais do que os que exerciam mandato até 1º de agosto de 2026. O levantamento do Intercept Brasil considera que pertencem ao grupo os políticos filiados ao PL, PP, Republicanos e Novo.

Foi na região Sul que a extrema direita teve o melhor desempenho: ganhou todas as seis vagas disponíveis no Rio Grande do Sul, em Santa Catarina e no Paraná – se Deltan Dallagnol perder a vaga por decisão do TSE, o ocupante será Alexandre Curi, do Republicanos, outro candidato do mesmo campo político. 

Já no Centro-Oeste e no Sudeste, elegeu seis dos oito senadores possíveis em cada uma dessas regiões – incluindo as duas vagas de São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal e Mato Grosso do Sul. O grupo ainda teve desempenho regular no Norte (6 de 14 vagas) e foi muito mal no Nordeste (só 3 de 18).

Dos seis senadores da extrema direita que disputaram a reeleição, três venceram, todos do PL: Márcio Bittar, no Acre, Carlos Portinho, no Rio de Janeiro, e Eduardo Gomes, no Tocantins. Foram derrotados Ciro Nogueira, do PP do Piauí, Angelo Coronel, do Republicanos da Bahia, e Esperidião Amin, do PP de Santa Catarina.

Com a maioria na Casa, a extrema direita não precisará costurar alianças com o Centrão para conquistar a presidência do Senado, o que exige 41 votos, obtendo poderes para fazer avançar processos envolvendo a punição de autoridades, como, por exemplo, dos ministros do STF e do procurador-geral da República.

Considerando que saiu das urnas neste domingo com 43 senadores, faltaram apenas 11 para o grupo conquistar os 54 votos capazes de aprovar o impeachment de ministros do STF – embora muitos eleitos de partidos da centro-direita apoiem a ideia e possam se tornar aliados neste objetivo.

O levantamento do Intercept aponta que o Brasil elegeu 16 senadores de centro-direita – filiados a MDB, Podemos, PSD, PSDB e União Brasil.

Muito enfraquecida e com suas principais apostas perdendo por larga vantagem, a esquerda conquistou somente 6 vagas, todas com o PT — 5 delas no Nordeste, seu maior reduto eleitoral. 

Nas outras regiões, teve apenas uma vitória, em Minas Gerais, com Marília Campos. Já a centro-esquerda terá 5 senadores, representando PSB, Rede e PDT – 4 destas vagas no Nordeste e uma no Espírito Santo.

O primeiro teste da nova configuração do Senado será a eleição para a mesa diretora em fevereiro de 2027, logo após o recesso do Congresso. O comando da Casa é estratégico porque cabe ao presidente do Senado decidir, individualmente, se um processo de impeachment de ministros do STF terá seguimento ou não. 

Em agosto de 2025, por exemplo, a oposição disse ter conseguido 41 assinaturas para levar adiante o impeachment do ministro do STF Alexandre de Moraes, mas o presidente Davi Alcolumbre, do União Brasil do Amapá, não deu a largada no processo. Caso a extrema direita comande o Senado, o resultado pode ser diferente.

O tamanho da força da extrema direita no Senado, entretanto, ainda depende do 2º turno das eleições estaduais. É que Alan Rick, do Republicanos do Acre, está em meio de mandato – foi eleito em 2022 – e ainda pode assumir como governador. O suplente dele, Gemil Junior, é filiado ao PSD, que é de centro-direita.

Outros cinco senadores da extrema direita em meio de mandato tentaram a vaga ao governo do estado. Três perderam em primeiro turno, todos do PL – Wilder Morais, em Goiás, Wellington Fagundes, no Mato Grosso, e Efraim Filho, na Paraíba.

Por outro lado, dois venceram em 1º turno. Cleitinho, do Republicanos, ganhou em Minas Gerais e, com isso, deixará a vaga no Senado para o suplente Alex Diniz, do PL. Já no Paraná, Sergio Moro, do PL, saiu vitorioso – no seu lugar, assumirá o suplente Luis Felipe Cunha, que é filiado ao União Brasil, de centro-direita.

SP e RS contrariam pesquisas e não têm disputas acirradas

Diferentemente da Câmara, onde as vagas de deputado federal são calculadas proporcionalmente à população, no Senado cada estado tem três congressistas. E a análise regional da disputa política mostra como a extrema direita deu passos firmes em 2026.

Enquanto aumentou sua representatividade no Centro-Oeste (de 5 para 10 senadores), Sudeste (de 5 para 9), Norte (de 7 para 9) e Sul (de 5 para 9), houve redução apenas no Nordeste, mas mínima (de 7 para 6).

As pesquisas anunciavam uma disputa marcada por duelos acirrados. Mas, nas urnas, isso não se confirmou. Foi o caso de São Paulo, em que Guilherme Derrite, do Progressistas, e André do Prado, do PL, derrotaram com facilidade Marina Silva, da Rede, e Simone Tebet, do PSB. Agora, o estado tem três representantes da extrema direita, já que Marcos Pontes, do PL, tem mandato até 2030.

Já no Rio de Janeiro, Flávio Bolsonaro não concorreu à reeleição para disputar a presidência. Mesmo assim, o PL demonstrou força nas urnas com Carlos Jordy e Carlos Portinho – que derrotaram a tentativa da esquerda, em especial com Benedita da Silva, do PT, de conquistar ao menos uma das cadeiras.

Outra disputa que se previa equilibrada era a do Rio Grande do Sul – mas não foi o que aconteceu. Como Luis Carlos Heinze, do PP, e Paulo Paim, do PT, não disputaram a reeleição, o estado elegeu dois novos senadores. Ubiratan Sanderson, do PL, e Marcel Van Hattem, do Novo, conquistaram mais de 30% dos votos e tiraram uma vaga antes pertencente à esquerda.

No Norte, porém, fracassou a estratégia da extrema direita de transferir o domicílio de Helio Bolsonaro, do PL, do Rio de Janeiro para Roraima. Mesmo prestigiado à distância pelos aliados, o pupilo de Jair ficou apenas na 5ª posição, com 12,97% dos votos. 

Thte Intercpt

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