News Nacional - Por Redação Ricardo de Moura Pereira — 18 de agosto de 2026
Um grupo de 36 médicos e especialistas em saúde mental assinou uma carta formal apresentada ao Congresso dos Estados Unidos alertando sobre o que classificam como deterioração acentuada do estado de saúde mental e cognitiva do presidente Donald Trump, e pedindo sua remoção imediata por meio de procedimentos legais. O documento foi registrado oficialmente no Congresso Record em 30 de abril de 2026, apresentado pelos senadores Sheldon Whitehouse e Jack Reed.
Quem são os signatários
Os 36 profissionais incluem neurologistas, psiquiatras forenses, psiquiatras gerais e médicos de outras especialidades, com vínculo a instituições como Universidade Harvard, Columbia, Tufts e George Washington University. Entre eles está o Dr. Eric Chivian, cofundador dos Médicos Internacionais para a Prevenção da Guerra Nuclear — organização laureada com o Prêmio Nobel da Paz em 1985 — e o Dr. Henry Abraham, professor emérito de Psiquiatria da Tufts, que atua como porta-voz do grupo.
Os autores destacam que não há alinhamento partidário único entre eles: reúnem profissionais de visões políticas variadas, democratas e republicanos, de diferentes origens raciais e religiosas. “Não se trata de uma declaração política. É uma avaliação médica”, frisam no texto.
Principais preocupações apresentadas
A carta elenca sinais observáveis publicamente que, segundo os especialistas, indicam um quadro grave e progressivo: Deterioração cognitiva: fala desorganizada, divagações sem nexo, confusões factuais frequentes e episódios de sonolência durante eventos oficiais.
Crenças delirantes e grandiosas: afirmações de infalibilidade, comparações a figuras religiosas e narrativas fantasiosas sobre si mesmo; Julgamento comprometido e perda de controle de impulsos: ameaças impulsivas, mudanças abruptas de posição em questões estratégicas e comportamento instável; Risco à segurança global: o ponto mais enfatizado é o fato de Trump deter autoridade exclusiva e sem freios para ordenar o lançamento de armas nucleares. “Ele representa um perigo claro e presente para os Estados Unidos e para o mundo”, ressaltam.
O grupo esclarece que não examinou o presidente pessoalmente e não emite diagnóstico clínico formal. A avaliação baseia-se em seus discursos, conduta pública e declarações ao longo de um ano. “Seus comportamentos não são meros deslizes ou encenação. Refletem um declínio mental grave e crescente”, concluem.
Reação e contrapartida
A assessoria médica oficial de Trump havia atestado, em exames anteriores, que o presidente estaria “perfeitamente apto” ao exercício do cargo. A Casa Branca classificou as críticas como especulação política.
Os médicos, por sua vez, respondem que a questão transcende política: é uma questão de segurança nacional e global. Solicitaram formalmente aos ministros do governo que avivem o 25º Aditamento Constitucional, mecanismo que permite afastar o presidente caso se comprove incapacidade física ou mental.
Contexto e debate
O documento reacendeu um dos debates mais sensíveis da política americana: até que ponto profissionais de saúde podem emitir pareceres sobre a sanidade de um líder sem examiná-lo diretamente.
Existe uma norma ética histórica — a chamada Regra Goldwater — que desaconselha diagnósticos públicos sem avaliação presencial. Os signatários reconhecem a norma, mas argumentam que o risco excepcional justifica o alerta. “Temos o dever ético de alertar a população quando o perigo é iminente”, justificam.
Aos 80 anos, Trump segue em exercício da presidência. A carta dos 36 médicos permanece como um dos alertas coletivos mais expressivos já apresentados por profissionais da área médica sobre a saúde mental de um presidente em exercício.
⚠️ Nota importante: Este artigo compila informações publicadas por veículos de imprensa e no Registro do Congresso dos EUA. A questão é controversa e existem diferentes pontos de vista. A posição oficial da Casa Branca e dos médicos pessoais do presidente diverge da avaliação apresentada nesta carta. O tema permanece em debate.