Quatro anos após o título histórico no Catar, a Associação do Futebol Argentino (AFA) está no centro de uma investigação internacional que envolve movimentações financeiras milionárias, apreensão de aparelhos e autoridades americanas — mas não há qualquer ligação com manipulação esportiva.
A conquista da Copa do Mundo de 2022 fez a seleção argentina retornar ao topo do futebol mundial, mas o período seguinte foi marcado também por uma crise fora de campo que ganhou dimensão internacional. Nas últimas semanas, o caso ganhou destaque com a atuação direta do FBI, a apreensão de celulares de dirigentes e o rastreamento de valores que ultrapassam os US$ 300 milhões.
O que está sendo investigado?
A ação das autoridades americanas mira operações financeiras ligadas a contratos de patrocínio e direitos comerciais firmados pela AFA entre o pós-Catar e a Copa de 2030. O foco principal é a empresa TourProdEnter LLC, sediada na Flórida, considerada pelos investigadores como uma “empresa de fachada” usada para movimentar recursos sem registro oficial.
Entre as medidas tomadas, estão a apreensão de celulares e dispositivos digitais de lideranças da entidade, intimações para depoimentos e a análise de transferências que permaneciam nas contas por apenas 24 a 72 horas antes de serem remetidas para outros destinos. Também aparecem na investigação bens de luxo, como mais de 50 veículos e uma propriedade avaliada em cerca de US$ 20 milhões, registrados em nome de pessoas ligadas aos dirigentes.
O que dizem as partes?
A direção da AFA, comandada por Claudio Tapia, nega todas as acusações. Em comunicado, classificou as alegações como “infundadas” e garantiu que todos os contratos seguem as regras legais. Até o momento, ninguém foi formalmente denunciado ou condenado, e o processo ainda está em fase de coleta de provas.
Importante: circulam nas redes versões falsas que associam a investigação à compra de títulos ou suborno de árbitros na Copa do Mundo. Essa informação não tem qualquer base oficial: a apuração trata apenas de supostas irregularidades financeiras e lavagem de dinheiro, sem envolver o desempenho esportivo da seleção.
O impacto no futebol argentino
O escândalo reacendeu críticas antigas sobre a gestão da entidade e levantou dúvidas sobre o destino dos recursos gerados pela popularidade da seleção. Enquanto os investigadores seguem cruzando dados entre Estados Unidos, Argentina e outros países, a torcida divide a emoção pelo legado do título com a preocupação com o futuro administrativo do futebol nacional.
Os próximos passos incluem novas audiências nos Estados Unidos e a apresentação de documentos complementares pela defesa dos envolvidos. Até lá, o caso segue como um dos maiores desafios institucionais enfrentados pela AFA nas últimas décadas.
Fonte -MSN