Quem ganhou o primeiro debate presidencial? Sem Lula e Flávio, confronto fica sem vencedor claro — mas um nome se destaca
O primeiro debate presidencial das Eleições 2026, realizado na noite de domingo (23/8) pela TV Bandeirantes, em São Paulo, entrou para a história mais pelo que não aconteceu do que pelo que foi dito. Dos seis candidatos convidados, apenas três subiram ao palco: Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Os três principais nomes nas pesquisas — Lula (PT), Flávio Bolsonaro (PL) e Romeu Zema (Novo) — simplesmente não compareceram, deixando seus púlpitos vazios durante toda a transmissão.
📋 O que aconteceu na noite
A ausência dos líderes da corrida eleitoral acabou sendo o tema central de todo o debate. Os candidatos presentes não perderam a oportunidade de cobrar e criticar os faltantes desde o primeiro instante.
Renan Santos chegou ao estúdio levando fraldas com os nomes de Lula e Flávio, numa provocação direta. "Covardes!", disparou. Já Ronaldo Caiado classificou os ausentes como "fujões" e defendeu tornar obrigatória a participação em debates. Até Augusto Cury chegou a anunciar que desistiria de falar em protesto, mas acabou permanecendo.
Com o palco esvaziado, os três candidatos debateram sobre segurança pública, economia, emprego, educação e relações exteriores. Renan defendeu medidas duras contra o crime organizado; Caiado apostou em sua experiência de 40 anos na política e propôs metas claras para juros e inflação; e Cury focou em educação e qualidade de vida.
🏆 Afinal, quem venceu?
A resposta direta de analistas e instituições que acompanharam o evento é: não houve um vencedor nítido. Mas é possível identificar quem saiu ganhando mais pontos com a exposição.
✅ Renan Santos: o que mais cresceu
Apesar do tom agressivo, Renan Santos foi o candidato que mais aproveitou o espaço. Liderou o volume de menções nas redes sociais durante toda a transmissão e registrou o melhor índice de avaliação positiva: 38% de menções favoráveis, contra 28% de Caiado. Para um candidato que figurava em posição mais discreta nas pesquisas, a visibilidade foi um grande ganho.
✅ Ronaldo Caiado: o mais bem avaliado qualitativamente
Em avaliação com eleitores indecisos, promovida pelo Instituto Travessia, o ex-governador de Goiás foi classificado como o candidato com melhor desempenho geral, transmitindo serenidade, experiência e propostas concretas. Conseguiu atrair parte dos eleitores de Flávio Bolsonaro que ficaram frustrados com a ausência do candidato.
⚠️ Augusto Cury: presença discreta
O escritor e candidato do Avante manteve um tom mais sereno e focou em temas como educação e saúde, mas teve menor repercussão e pouca interação com os demais debatedores.
❌ Os ausentes: quem perdeu mais?
- Lula: concedeu entrevista à Record no mesmo horário e manteve sua base fiel, sem perdas significativas. Não precisou enfrentar ataques diretos e saiu ileso.
- Flávio Bolsonaro: foi o que mais perdeu força. A ausência frustrou eleitores da base oposicionista, que esperavam vê-lo debater. A cobrança por sua falta foi unânime entre os presentes.
- Romeu Zema: foi quase ignorado durante todo o debate. Sua ausência passou despercebida e não gerou impacto positivo ou negativo.
📊 Resumo da noite
Tabela
| Candidato | Presença | Destaque | Saldo da noite |
|---|---|---|---|
| Renan Santos | ✅ Presente | Tom agressivo, maior visibilidade | ✅ Ganhou muito |
| Ronaldo Caiado | ✅ Presente | Experiência e propostas concretas | ✅ Ganhou |
| Augusto Cury | ✅ Presente | Foco em educação, tom suave | ⚖️ Pouco impacto |
| Lula | ❌ Ausente | Entrevista concorrente na Record | ✅ Manteve tudo |
| Flávio Bolsonaro | ❌ Ausente | Cobrado e criticado por todos | ❌ Perdeu força |
| Romeu Zema | ❌ Ausente | Quase não foi mencionado | ⚖️ Sem impacto |
🎯 Conclusão
O primeiro debate presidencial não produziu um vencedor claro. Os candidatos presentes tiveram espaço, mas o público não viu o confronto que realmente importava — Lula x Flávio.
Se houve um vencedor indireto, foi Lula: sem precisar aparecer, manteve seus eleitores e viu seus principais adversários se desgastarem ou simplesmente não comparecerem. Já Flávio Bolsonaro foi quem mais perdeu ao faltar: a ausência foi interpretada como covardia por parte de seus próprios eleitores. Enquanto isso, Renan Santos e Ronaldo Caiado saíram da noite com mais visibilidade e espaço para crescer na disputa.
O próximo confronto, na TV Globo, promete ser diferente — e a pressão agora cai sobre os ausentes, que dificilmente terão desculpa para faltar novamente.
Nome de operação da PF contra Lulinha gera desconforto no entorno de Lula
O caso
Uma das fases da operação da Polícia Federal que investiga Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e a empresária e lobista Roberta Luchsinger foi batizada de Operação Elli. A escolha do nome provocou forte desconforto e irritação no círculo próximo ao Planalto, onde a denominação foi lida como uma referência indireta e provocadora à expressão "Faz o L", símbolo e slogan de campanha do presidente e de seus apoiadores.
A fase batizada de "Elli" resultou na quebra dos sigilos bancário e fiscal de Lulinha e Roberta Luchsinger, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), para aprofundar a apuração sobre suspeitas de lavagem de dinheiro. A investigação identifica indícios de prática reiterada de lavagem de capitais atribuídos a Antônio Carlos Camilo Antunes, o "Careca do INSS", e ao seu círculo de relações, no qual a empresária estaria inserida.
💬 A reação da defesa
O advogado de Lulinha reagiu com firmeza e anunciou que pedirá formalmente explicações à Polícia Federal sobre a escolha do nome. Em declaração, classificou a possível alusão como perseguição política:
"Vamos pedir explicações sobre o nome, qual a origem e alguma explicação que justifique a alcunha. Porque, se não tiver, é a velha e surrada estratégia de atirar a flecha e depois pintar o alvo. De começar o processo pelo fim, com a condenação. Isso é perseguição." — afirmou o advogado.
A reação reforça a percepção entre os lulistas de que a escolha não seria mero acaso, mas sim uma provocação política dentro de uma investigação judicial.
⚖️ A versão da Polícia Federal
Em documentos encaminhados ao STF, a Polícia Federal não menciona qualquer relação com o slogan presidencial. A instituição explica que a Operação Elli surgiu da análise de provas coletadas em etapas anteriores e que teve objeto investigativo próprio, sem estabelecer vínculo com campanhas ou símbolos políticos. Para a PF, o nome seria apenas uma designação operacional sem carga simbólica.
📌 O contexto da investigação
A polêmica ocorre num momento em que Lulinha já responde a três frentes de investigação na Polícia Federal, todas autorizadas pelo ministro André Mendonça do STF:
- Tráfico de influência e corrupção passiva no âmbito do Ministério da Saúde, supostamente em benefício de lobistas e empresas ligadas a Roberta Luchsinger;
- Lavagem de dinheiro, alvo específico da Operação Elli;
- Uso do nome do presidente para viabilizar negócios privados junto ao governo federal.