Segundo as informações de notícias do Theintercept Brasil, recentes cortes orçamentais governamentais tiveram impacto no apoio e na ajuda à habitação, tornando impossível aos jovens de baixos rendimentos continuarem a sua educação.
Já sabemos que entrar no ensino superior é um sonho para muitas pessoas, e que o aumento efectivo de uma população mais pobre na universidade é uma realidade nacional: a presença de turmas de menores rendimentos nas universidades aumentou seis vezes em 20 anos, de acordo com o Instituto Nacional de Estudos e Investigação Educacional Anísio Teixeira, Inep.
O que é menos conhecido é que entrar na universidade é "apenas" mais um passo na batalha do país pela educação e melhores condições de vida. Outro grande dilema para os indivíduos mais pobres é se devem ou não permanecer durante uma média de quatro anos. Existem várias razões para tal, incluindo a necessidade de equilibrar emprego, estágios e classes; prováveis lacunas no ensino básico e/ou básico (público ou privado); constrangimentos financeiros; angústia emocional; problemas em obter ajuda ou bolsas de estudo; e assim por diante.
Implica que embora ganhar um diploma seja um desafio para indivíduos com recursos financeiros limitados, completar o curso e sair com informação no cérebro e uma credencial em mãos é uma história diferente. Segundo dados do Inep, o aumento de estudantes com baixos rendimentos nas universidades abrandou desde 2016, quando os cortes nas instituições federais se tornaram ainda mais severos. É o regresso de uma era passada, quando o ensino superior era quase exclusivamente um privilégio dos mais ricos do país.
A estudante Roberta Bolvar, 26 anos, não parou os seus estudos de medicina na Universidade Federal de Pernambuco, UFPE, apesar de estar extremamente perto de mudar a sua vida. Roberta, mineira, que se mudou dos subúrbios de Belo Horizonte para estudar no Nordeste em 2016, matriculou-se no ensino superior através do Sistema de Selecção Unificado do Ministério da Educação, Sisu.
Roberta, filha de um polícia de baixa patente e de um professor do ensino básico, era uma fonte de orgulho e um impedimento na altura: o rendimento bruto da família era de R$3.000, insuficiente para sustentar três pessoas (a estudante, a sua irmã e a sua mãe, que nunca tinha vivido com o pai de Roberta). Era ainda inferior aos custos de alojamento, alimentação e trânsito para o potencial futuro médico numa cidade diferente. Para complementar os seus rendimentos, a mãe da jovem, que está reformada, começou a fazer artesanato. Ela também contraiu empréstimos e contraiu dívidas.
Roberta mudou-se para Caruaru e partilhou um apartamento com duas outras pessoas para poupar dinheiro. A distância da sua família, a falta de dinheiro, a falta de uma modesta rede de apoio nas proximidades, e a volatilidade da sua nova casa, contudo, tudo isto teve impacto na saúde emocional da jovem mulher. Quando Roberta regressou a Belo Horizonte um ano mais tarde, a sua mãe disse-lhe que não podia suportar as despesas da sua filha enquanto esta estudava noutra cidade. Ela teria de desistir de tudo aquilo por que tinha trabalhado.
Depois disso, ela procurou o conselho de um advogado e, eventualmente, do seu pai, que era distante e inútil. Ele também estava reformado, embora
A situação melhorou, mas apenas por pouco tempo: o aumento da inflação fez subir as despesas de alimentação, habitação, internet, e energia, entre outras coisas. O aperto reapareceu, dividido pelos duros estudos para o curso de medicina, mas Roberta não conseguiu candidatar-se a um dos programas de ajuda estudantil do MEC. Segundo ela, o rendimento da família era insuficiente para cumprir todas as suas obrigações, mas era suficiente para se qualificar para a ajuda financeira federal. "Por exemplo, não se tem em conta que é de outro estado e por isso paga consideravelmente mais por ela" (de facto, como veremos, existe ajuda à habitação, mas os cortes orçamentais comuns nos últimos anos limitaram vários decretos para a obter).
Para o estudante, a solução era realizar algum trabalho de modelagem, que proporcionasse uma fonte de dinheiro necessária durante a era pandémica, quando o rendimento da família despencou ainda mais. Roberta, que já estava a trabalhar em hospitais quando o vírus surgiu, completou o primeiro nível do curso em Janeiro deste ano, e enfrenta agora dois anos de formação prática. Ela planeia complementar os seus rendimentos através de turnos de trabalho e da participação em concursos de residência médica.
É fundamental salientar que incidentes como o de Roberta não devem ser vistos em termos de "superação" de um indivíduo romântico. A sua história é uma de um grande número de semelhantes. A partir de dentro, posso falar-vos de muitos deles: Sou membro do mesmo corpo docente da UFPE, nomeadamente do campus de Caruaru, que foi criado em 2003 como parte do programa Reuni (Reestruturação e Expansão das Universidades Federais).
Até 2010, foram criadas 14 novas instituições e mais de 100 campus adicionais como resultado disso. Foi uma das estratégias mais eficazes para a democratização do ensino superior no Brasil, resultando na criação de milhares de novas posições e na prestação de ensino de alta qualidade mesmo fora das principais cidades e capitais do país.
Contudo, a vida quotidiana nestas instituições demonstra que chegar a uma universidade pública é apenas o início de uma longa viagem. Posso pensar em alguns exemplos que fazem com que a permanência do curso seja altamente instável: lembro-me de numerosos estudantes de cidades adjacentes (Cupira,
Panelas, Sairé, etc.) tirando partido do transporte gratuito fornecido pelas suas cidades para chegarem à universidade. Porque muitos automóveis se recusaram a sair da BR-104 e a entrar na faixa que vai para a universidade, uma viagem curta para aqueles que eram motorizados, mas uma rota longa e perigosa para aqueles que estavam a pé e a andar a altas temperaturas, muitos estudantes chegaram suados e fatigados na sala de aula. Por outro lado, os estudantes
Fonte de redação theintercep